quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Engatando no filme que eu citei no último post, dei uma breve pesquisada no Google sobre como atuar em sala de aula com uma criança que apresenta dislexia.
Vou postar aqui um breve texto que pode ajudar e muito quem já atua na sala de aula:



ORIENTAÇÕES PARA O TRABALHO COM DISLÉXICO EM SALA DE AULA


Em que pesem as constantes transformações da sociedade atual, tais como o desenvolvimento digital, novos paradigmas da ciência e mudança nas estruturas familiares, a função primordial da escola permanece a mesma: favorecer o
 desenvolvimento acadêmico e social dos seus alunos, independente de suas condições individuais.
Para garantir o cumprimento desta função, a escola precisa mudar. A mudança, por sua vez, deve partir da interação entre o corpo diretivo, a coordenação e a equipe de professores, além da parceria das famílias em um projeto único, coerente e eficaz.

Um aspecto importante da transformação é que a escola se comprometa com a educação inclusiva, não apenas com práticas destinadas aos alunos com dificuldades ou distúrbios. A educação inclusiva deve ser compreendida como uma política para integração de todos os alunos, conscientizando o professor para sua importância e para a necessidade de capacitação contínua para a prática docente.

Sabemos hoje que os distúrbios de leitura e escrita, dentre eles a dislexia, são fatores de maior incidência em sala de aula, portanto devem ser objeto de estudo e de compreensão por parte de todos os envolvidos. A escola, na figura do professor, necessita ressignificar o seu papel na busca de novos caminhos para o processo de ensino-aprendizagem aos alunos que manifestam essas dificuldades. Os resultados das pesquisas recentes (Shaywitz, Sally, 2006) provam que é possível estimular os circuitos neurológicos de baixo funcionamento, através de estratégias e ações reeducativas embasadas nos novos paradigmas trazidos pelas neurociências.

É possível preparar o professor para identificar aquele aluno que demonstre dificuldades em adquirir a leitura e a escrita desde os primeiros anos do ensino fundamental e encaminhá-lo à avaliação aplicada por equipe especializada.

O diagnóstico precoce possibilitará a intervenção psicopedagógica aos portadores, além de orientação deste profissional ao professor, que poderá intervir em sala de aula com métodos e estratégias adequadas, visando minimizar as consequências futuras da dislexia no processo de aprendizagem dos seus alunos.

Alguns aspectos facilitadores poderão ser introduzidos pelo professor como norte no processo acadêmico e como ferramentas de auxílio aos alunos disléxicos, a saber:
 

» A melhor abordagem perante um aluno disléxico é a multissensorial, isto é o professor deve facilitar a aprendizagem utilizando-se de todos os recursos (visual, auditivo, oral, táctil e cinestésico) disponíveis, desde que tenha consciência e critérios para a utilização.

» Perceber e estimular as habilidades de seus alunos, como forma de dar-lhe segurança, melhor autoestima e mecanismos compensatórios, respeitar suas ineficiências procurando auxiliá-lo de forma calma e segura, para que os alunos sintam-se confortáveis em solicitar ajuda ou tirar dúvidas

» Desenvolver o prazer pela leitura, alternando a execução entre professor e aluno, devendo ser criteriosa a escolha dos títulos, levando-se em consideração as possibilidades e interesses das várias faixas etárias

» Trabalhar sempre atividades que ampliem o conhecimento do vocabulário, assim como atividades que estimulem os alunos a escrever

» Explorar seu mundo imaginário e suas habilidades práticas e criativas

» Elogiar sempre que merecido suas produções e manifestações criativas ou de ajuda em sala de aula

» Permitir e incentivar espaço para que outras habilidades do disléxicos possam se destacar: esportes, manipulação de tecnologia, desenhos, arte em geral, teatro, música, fotografia, etc.

» Importante posicionar o disléxico nas primeiras carteiras e garantir sempre que ele compreendeu a tarefa solicitada

» Monitorar suas anotações e agenda, incentivando-o a utilizar este mecanismo

» Estimular a organização e disciplina para o trabalho

» Ensinar técnicas de estudo, como leitura seletiva, sínteses e mapas mentais ou conceituais

» Desenvolver técnicas mnemônicas que favorecerão armazenagem de fórmulas e conceitos

» Ensinar as regras ortográficas sempre aplicadas à prática, pois quando interiorizadas auxiliarão para codificar os vocábulos

» Permitir a gravação de aulas expositivas, visto que o disléxico apresenta dificuldades para anotar e prestar atenção ao mesmo tempo

» Dar tempo adequado dependendo do trabalho a ser realizado, o disléxico despenderá maior tempo quando o solicitado requerer leitura e escrita de textos ou livros

» Fazer provas orais e fornecer mais tempo para as provas que exijam leitura e escrita

» Garantir que o aluno entendeu os enunciados das questões

» Não descontar pontos por erros e/ou trocas ortográficas, mas trabalhar estas dificuldades com atividades paralelas

» Não exigir do disléxico leitura em voz alta

» Incentivar o uso de computador para redigir e corretor de textos, estes recursos o auxiliarão no treino da soletração, na ortografia e na orientação espacial

» Possibilitar que o aluno apresente trabalhos de forma criativa se utilizando de outras linguagens não verbais: diagramas, gráficos, gravuras, desenhos, colagens, vídeos, etc.

» Escrita mais adequada na lousa, fazer sínteses, observar a orientação espacial, letra legível, utilizar-se de cores e verificar se a luz que incide sobre a lousa permite boa visibilidade. 


Tânia Freitas
tania@abcdislexia.com.br
Junho/2011

Fonte: 
http://www.abcdislexia.com.br

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